Páginas

sábado, 17 de maio de 2014

let go? not yet.

eu sei que é o maior bonitinho assumir um discurso de não me importar, de relevar. minha mãe diz que o feio fica para quem faz. eu discordo. todas as vezes que alguém foi babaca, ou escroto, ou desonesto com alguém, eu fico esperando que a pessoa se dê mal. talvez porque eu tenha essa cabecinha moldada por contos de fada, vai saber.

eu segui com a minha vida depois da demissão lá da ultima firma. obviamente que não fiquei em casa remoendo, mas tratei de acompanhar direitinho o rumo daqueles personagens pra me certificar que, seja lá quanto tempo depois, eles teriam o que mereciam.

dois meses depois da minha saída o chefo anunciou o romance com a rainha de copas na firma. ele também anunciou que estava de saída do barco afundando. pegou um bote salva vidas e se mandou com sua recém assumida senhoura pra porto alegre, onde rumores já dão conta de que ele é odiado. ela arranjou emprego num importante veiculo de comunicação local, mas já entrou lá com galerê avisado (pela editora fofa que ela demitiu) de que ela não era flor que se cheirasse.

também uns dias depois que eu saí, foi a vez do cara de TI. ele segue bem, aparentemente voltou pra ex namorada que fazia ele fazer mimimi e a vida seguiu. jantamos no outro dia, e ele ainda é reclamão.

das minhas meninas da equipe, uma pediu demissão uns 3 meses depois. está bem, está otima. a outra, a japonesa dos desenhos incríveis arranjou outro emprego agora, e está em vias de pedir demissão. o novo chefe dela desde janeiro, como eu já contei aqui é john armless.

que também é odiado, que se autoproclamou chefo supremo bsubstituto, tomando conta da sala e contando a história do cancer calombo que teve.

a ultima novidade, que me fez postar coisinhas de vingança e karma no facebook, foi a relevante informação de que o chefão, o ceo mais bobinho e ingenuo da face da terra foi finalmente demitido. junto com dartagnan, que agora aparentemente é empresário da noite. querem transferir john armless para porto alegre, mas ele não quer ir. anda apavorado com medo de ser demitido também.

eu digo que é pouco. continuo aguardando que a ~vida~ dê conta dos pombinhos que escaparam do karma e seguem felizinhos em porto alegre.

minha vida vai muito bem. minha vida vai ótima.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

temporada de eclipses quase no fim, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

a equipe do trabalho é legal, e tem sido um verdadeiro desafio me ver assim, cercada de pares. aflora minha natureza competitiva, que eu tinha até esquecido que existia. às vezes dá preguiça das pessoas. estou virando uma pessoa rabugenta.

o frio começou, e eu ando bastante preguiçosa. vê-se pelas baguncinhas pela casa, a louça na pia. as roupas no varal. saímos sábado pra caminhar e só voltamos 10km depois. deitei na cama e dormi. lençol elétrico. acordei pra comer, pra trocar de roupa. dormi mais. até domingo.

assisto beverly hills 90210 porque é bom me prender em causos adolescentes. brenda e kelly brigam pelo dylan e eu penso que já quis muito o corte de cabelo da kelly lá pela quarta temporada, a da faculdade. acho até que fiz algo parecido. jamais na minha vida eu poderia imaginar que carregaria como marca registrada uma franja. tipo a brenda.

me perco nas conversas teoricamente edificantes das pessoas. que livros estou lendo, pessoas dizendo que leram estudos que sugeriam que devíamos fazer o nosso trabalho assim e assado. me falta proatividade? talvez. os e-mails da equipe se acumulam, e a cada mensagem surge um reply engraçadinho, o assunto se perde e no fim é galerê praticando amizade. não, obrigada. pratico amizade no almoço, mas tenho preguiça eterna de práticas de amizade corporativas.

ora ora, como eu evoluí, não é mesmo?

talvez não.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

conversinha

a minha busca agora é por superficialidades. só um pouco, pra desanuviar. novela, conversinhas. stalking de leve nas pessoas conhecidas. sorvete com o namorado. o pessoal do trabalho fez um grupo de whatsapp, e eu só quero que eles se explodam quando começam com mensagens de bom dia as 8h da manhã. estou passando o delineador, é um momento sagrado. 

tenho tentado ficar mais silenciosa, porque isso de falar muito faz com que eu vire um alvo fácil. todo mundo resolve brincar e eu sou a escolhida. e nem sempre eu estou com humor pra brincar de volta. fico só meio puta mesmo. roí as unhas, comecei a tomar goji berry, porque me disseram que emagrece. eu ia dizer que a terra dos coxinhas me engordou, mas fui eu que me engordei mesmo, com minha falta de disciplina na alimentação e todas aquelas starbucks pelo caminho.

ando meio em pânico com a falta d'água que se anuncia. não lido bem com privações. se acabar a agua em são paulo, o que será de mim?

preciso economizar dinheiro, e só gasto. fiquei loura, vejam só. ando meio preocupada achando que finalmente, aos 34 anos, apareceram as primeiras rugas. as pessoas dizem que eu estou louca, mas não. a vida pesou aqui no meu rosto.

de repente.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

a vida na terra de coxinhas

o escritório é novo, a equipe é nova, a terra dos coxinhas é nova e tem um mundo de restaurantezinhos para explorar. chegou um menino pra equipe, e ele é tipo MUITO pequeno. do tipo que hoje não conseguiu alcançar o apagador do quadro branco. ele usa um cavanhaque e eu estou me esforçando uma vida pra não usar isso contra ele. no mais, ele parece legal. parece um hobbit. bilbo baggins. macaulay agora trabalha com a gente todo dia e arranjou toda uma equipe para chamar de sua. soube que ele e a chefa tiveram um arranca rabo, e ela disse pra ele o quanto ele foi escroto comigo no dia que atrapalhou a minha apresentação. disse pra ele começar a participar, ao invés de se meter nos assuntos quando é tarde demais. e agora, por causa disso, ele aparece na minha mesa uma vez por dia. começa sempre com um "seguinte", seguido de algum grande insight que teve sobre alguma grande bobagem. eu tenho tentado ser paciente. também reparei que ele usa gerundismos, e que inventa palavras que não existem.

o melhor lugar da equipe é o meu. a gente sabe bem o drama que é pra ter um lugar legal, estrategicamente posicionado. quando eu vi a planta baixa das mesas e cadeiras, logo imaginei onde eu devia me sentar, com a tela protegida de olhares indiscretos e vista privilegiada do salão (e do restante da equipe). ainda consegui uma janelona bem do meu lado, e em dias com ar condicionado congelante, o solzinho da tarde é a coisa mais querida.

chegou uma outra menina hoje, e eu já sabia que ela existia ~no mercado~. passou pela firma colorida, conviveu com todos os meus queridos. me adicionou no facebook antes mesmo de começar a trabalhar, e eu achei isso bem ótimo. o que eu fiquei chocada de verdade, foi de olhar bem na cara dela e ver como ela era parecida com a roomie freak. primeira temporada bombando. terei de me acostumar com isso.

o chefo é ansioso de um jeito engraçado. tá sempre tocando o terror, mas de um jeito que não põe medo, só dá peninha. acho que ele gosta de mim, porque vira e mexe manda e-mail fazendo alguma brincadeira com algo que eu disse. estávamos falando do elevador ~inteligente~, daqueles que você aperta o numero do lado de fora e o sistema diz qual vai te levar ao destino. eu acho o elevador bem idiota, e nunca tinha conseguido pegar um que me levasse direto do -2 da garagem para o 7o andar do escritório. tinha que fazer baldeação pelo térreo. ele dizia que sempre conseguia o elevador direto, e que eu podia tentar, que funcionava. eu continuava tentando e nada. hoje eu disse pra ele que o elevador só atendia ele. que comigo não funcionava. quando ele foi embora, de noite, me mandou um e-mail de dentro do elevador, dizendo pra eu correr porque estava funcionando.

terça-feira, 25 de março de 2014

Quem não te conhece que te compre, Macaulay

é quase divertido ver macaulay chegar mais tarde e ver que, com a reorganização dos lugares, ele ganhou outro pouso. fica em pé, contrariado, e eu esboço um sorriso, enquanto tento desviar o olhar e evitar qualquer tipo de abordagem. ele e o assistente estão de costas um para o outro, agora, e isso parece desconfigurar o mundo como ele conhece. ele sorri amarelo, encolhe a barriga e se senta.

já estou sacando bem o tipinho. ele vai ser internalizado, por enquanto é prestador de serviços e trabalha alocado 2x por semana. como vai ser contratado, começou a fazer sua listinha mental de condições para se sentir em igualdade com as pessoas da equipe. sondou a chefa para falar de salário, me sondou pra saber se a vaga de estacionamento era realmente minha ou se alguém tinha me emprestado. tudo o que você responde ele preenche um checklist imaginário e inclui nas condições de contratação.

mas as naturezas dos trabalhos são diferentes. não interessa. macaulay computa, compara, quer igual. tá explicado o sorriso amarelo de ver que não ganhou destaque na reorganização das cadeiras. mesmo que seja uma configuração temporária enquanto não nos mudamos definitivamente para o escritório na terra dos coxinhas.
ando preguiçosa e introspectiva. não tenho vontade de ver as pessoas, de interagir. pode ser uma fase, pode ser o cansaço. com um mês de lojinha, eu estou pegando novamente o ritmo. alguma área da vida é impactada, e nesse momento eu estou penalizando as práticas de amizade. quero ficar quietinha. descansando. a casa está meio bagunçada, mas eu ando bem tranquila porque recontratamos a faxineira. e eu sei que ela vem e cuida. e eu posso não ter esse tipo de coisa na cabeça. o escritório está uma bagunça, os meus papéis da contratação na lojinha estão em gavetas aleatórias, e eu preciso de algum tempo pra me sentar no chão, espalhar tudo em volta e guardar nas caixas corretas. encapei umas caixas com papel de bolinhas, e elas ainda estão vazias. as roupas pra passar se acumulam em cima da minha mesa de trabalho, a mesma mesa abandonada há séculos porque o computador mora na mesa de cabeceira e é usado no colo. comprei uma estante irregular. eu fico dando voltas com o escritório, ele nunca fica pronto, de fato. o resto da casa eu acabei, mas o escritório não. comprei uma estante grande da tokstok e não fiquei satisfeita com ela onde eu havia planejado. levei pra sala, deitei e ela virou rack. odeio essa palavra. o antigo rack foi pro escritório, e eu empilhei as coisas nele de qualquer jeito. fiquei esperando voltar a trabalhar pra comprar outra estante sem culpa. comprei a estante sábado e ela leva um mês pra chegar. nem foi tão cara, mas não posso dizer que foi uma compra sem culpa. ando gastando dinheiro demais, preciso repor o que foi tirado da poupança, e só faço gastar. isso é saturno, eu acho, que está na minha casa das finanças e promete dificuldades até meados de 2015. 

estou indo um dia por vez. faço vista grossa com as palavras trocadas, o DDA bombando esses dias. penso que o DDA pode ter influenciado na batida de carro semana passada. deve ser o cansaço. meu menino ri, me chama a atenção quando eu falo coisas sem sentido. 

as formas de gelo na geladeira, e não no congelador. tem sido uma aventura viver comigo esses dias.

quarta-feira, 19 de março de 2014

e daí que depois de toda a irritação com as insinuações de que eu passaria a pena no casal da ~família de advogados~ encerrei a conversa e mandei me ligarem com um orçamento. mas estamos na era das redes sociais, e a filha advogada do casal da família de advogados achou por bem me adicionar no whatsapp. chegou se identificando "oi, eu sou a gabi, você bateu no carro do meu pai ontem", e eu podia muito bem lançar um não kiridinha, seu pai também bateu em mim bla bla bla, mas liguei o modo civilizado, o modo vou pagar pra não me aborrecer. ela mandou a cópia do orçamento feito pela oficina, e disse que se eu preferisse uma segunda opinião ~de alguma oficina da minha confiança~, eu podia falar e ela levava o carro lá sem problemas.

eu fiquei pensando que diabo de mundo é esse que as pessoas partem do pressuposto que está todo mundo enganando todo mundo. era ok eles acharem e dizerem que eu podia passar a perna neles, e achariam absolutamente normal se eu também resolvesse que eles podiam estar me passando a perna.

não, obrigada. eu levo as coisas de um jeito diferente.

eu disse basicamente que confiava na palavra dela, e que ela podia mandar consertar o carro que eu passaria na oficina pra acertar. que eu só precisava de uma nota fiscal, porque veja bem, mundo cão esse em que vivemos.

as respostas dela ganharam emojis, carinhas, etc. a de agradecimento por eu já ter acertado a fatura na oficina tinha carinha piscando, uma carinha com corações no lugar dos olhos, uma carinha mandando um beijo, UM BATOM e uma boca.

=/