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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

:~

as coisas ficam ruins e eu calo. as coisas não melhoram com isso. tem sido especialmente difícil. tudo o que pode dar errado, dá. uma das empresas que eu estava falando me colocou em duas entrevistas via skype. foram horriveis. não sei direito o que houve, mas acho skype um troço bizarro pra avaliar uma pessoa. não se olha no olho, não se tem ideia de como as coisas vão andar. eu desliguei a ligação com a certeza de que não tinha passado. isso foi há três semanas, e essa semana recebi a ligação com a informação de que tinham decidido provover alguém da equipe pra essa vaga.

andava praguejando contra os ~amigos~. tentando imaginar onde diabos eu acreditei que porque eu sempre fui legal e indiquei pessoas ia virar uma espécie de karma positivo e eu ia poder contar com eles quando precisasse. surgiu um freela esses dias, e eu pelo menos tenho conseguido me manter ocupada um pouquinho. mas não é o suficiente pra exorcizar meus demônios. eles andam comigo, o tempo todo.

a menina que eu esbarrei na entrevista no rio postou aquele cliché dos clichés no facebook. ch-ch-changes. o que muito obviamente significa que ela está trocando de emprego, porque david bowie sempre surge cantando changes na timeline logo antes de aparecer a troca de empresa. foi ali que eu tive certeza. a vaga da entrevista do rio já era.

daí eu vi no linkedin uma das vagas que eu tava concorrendo na empresa que eu mais queria, e que nunca tinha visto anunciada. postaram ontem. bastou isso e meu mundo caiu. não tem esteira que conserte, não ~sair pra ver os amigos~ que resolva, não tem justificativa que dezembro é assim mesmo que justifique. 

eu só queria dormir até 2014. ou até 2015. 

como isso também não seria possível, escrevo.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

dezembro

dezembro chegou e eu estou carregando o peso do mundo nas costas. faço terapia e sinto que os assuntos são sempre os mesmos. a minha ansiedade, o meu medo de que a vida não se acerte, o tempo todo que eu tenho livre e preciso preencher. os dias passam e o telefone não toca. dos quatro processos seletivos que estou participando, só um tem mais etapas (entrevistas) pela frente. os outros, espera. e dá-lhe paciência. eu respiro e tento acreditar que antes que eu perceba tudo estará terminado, e a vida terá se acertado. mas dezembro chegou e já desde novembro eu sinto as coisas desacelerarem. e eu preciso lidar com a ansiedade. terapia.

quando o coração aperta, eu corro/ando 5km. é a única coisa que eu controlo. gasto minha energia na esteira, sozinha, assistindo episódios antigos de will and grace ou ouvindo funk no ipod que também marca a distância e o tempo. sofro cada segundo. não sei como as pessoas conseguem, quem sabe um dia me torno uma delas. quando acaba, eu estou feliz. feliz por ter me comportado direitinho e feito a única coisa que eu posso fazer nesse momento de vida em suspenso. correr. ou tentar correr. ou morrer aos poucos, e traçar metas imaginárias, tipo só mais 300m, eu consigo. e depois que eu consigo, mais 300m.

tenho tido muito medo de surtar, da ansiedade me vencer. me concentro em controlar o que eu posso. o pouco que eu consigo.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A vida continua na mesma. Os processos são longos e demorados. Sempre lembro da Susan Miller dizendo "great positions take time"e tento me fiar nisso pra não desabar. Na maior parte do tempo sou bem sucedida. 

Tenho cá comigo um pequeno ranking (esse mundo maravilhoso dentro da minha cabeça onde eu tenho opções), mas à medida que o ano vai passando e dezembro começa a aparecer ali na esquina, confesso que desanimo. Ontem estive no Rio pra mais uma etapa. A entrevista foi ótima, mas saindo da conversa eu dei de cara com a menina que tinha me indicado, e que resolveu participar do processo. Como eu sei que ela me indicou porque vinha sendo sondada para a vaga e não queria trocar de empresa, foi bem estranho saber que ela mudou de ideia e que agora estamos concorrendo. Porque ela era uma daquelas que eu observava nos tempos de firma colorida. E eu acho ela melhor que eu. Ponto. Vamos ver o que acontece. Nem sei se é só uma vaga ou mais, eles estão criando todo um departamento, e pode ser que as duas sejam chamadas. Pode ser que não. Tem coisas a meu favor e coisas a favor dela. Ele é mais experiente (e mais cara) que eu, e dependendo da proposta, pode ser que a vaga caia no meu colo. Ela não tem carro e ir pra outra cidade todos os dias pode ser um problema. Ela tem mais tempo de mercado, e se meteu em menos projetos furados. Não dá pra saber.

As outras empresas dormem em berço esplêndido. O black friday afeta o funcionamento delas, e o atraso todo pode ter a ver com isso. Todo dia que termina sem que meu telefone tenha tocado é um tiquinho a mais de preocupação. O medo nem é não voltar antes do final do ano. Eu lido tranquilamente com um dezembro de folga. O medo é não ter notícias, é os processos serem pausados pra janeiro e eu ficar nesse mar de incerteza até lá.

Enquanto isso eu tento não roer as unhas, tento acreditar que a vida se acerta, tento gastar minha energia na esteira. Tudo meio em suspenso.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mercúrio está retrógrado e eu venho colocando nele a culpa por todos os atrasos da vida. Já não me dói tanto preencher os dias. Na verdade, com o frio que faz em São Paulo nesse novembro atípico, eu gosto mesmo da ideia de ficar quietinha e aquecida em casa. Tenho me dedicado a organizar coisinhas, a ver televisão, ver meus amigos. Passei dias e dias na casa dos meus pais, porque eu podia, vejam só. Tenho tentando manter uns dois contatos/duas entrevistas por semana, pra dar algum ritmo ao momento. Não tenho me exercitado, e talvez esteja aí a minha grande frustraçao do momento. Com o tempo entre um trabalho e outro, eu teria podido começar a correr e criar hábitos saudáveis. Tenho deixado o carro na garagem e ensaiado ir a pé para os lugares. Foi assim hoje, quando fui cortar cabelo láááá na alameda lorena, e resolvi ir a pé. Coloquei regininha pra tocar no ipod e valeu cada passo da caminhada. 8km, Oscar Freire inteiriiiinha, ida e volta. To meio moída agora, mas foi bom sair na rua, ver gente. Olhar, no caminho de volta, o novo corte de cabelo refletindo nas vitrines todas a caminho de casa. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

agenda =]

não é que eu tenha sumido. ou que eu tenha parado de escrever. andei fazendo muitas entrevistas e muitos contatos, então vamos a eles.

empresa #1. começou comigo stalkeando o rh no linkedin, mandando e-mail cara de pau dizendo quero trabalhar aí, tem vaga? rh respondeu, e tinha. duas vagas com o meu perfil, mais precisamente. marcamos entrevista e eu passei quase 2h falando descontroladamente. eles foram com a minha cara e marcaram a segunda conversa, com o chefe do cara que seria meu chefe. mais das horas falando descontroladamente. cheguei em casa com uma sensação boa, liguei a tv e tinha propaganda deles na tv. achei que podia ser um sinal. o status agora é esperar a resposta, que deve vir pelos próximos dias.

empresa #2. era uma vaga que não tinha muito aver comigo, mas eu acho a empresa legal e tinha muita curiosidade de conhecer o prédio fodão deles a 3 quadras da minha casa. fui lá e a conversa foi ótima. a mulher gostou de mim, mas eu nem acho que queira essa vaga. tava mais era curiosa mesmo.

empresa #3. fica registrada, aqui, a primeira vez na minha vida que eu fugi de uma entrevista. literalmente. primeiro porque eu tava dirigindo na dutra quando me ligaram, e eu fiquei meio atordoada e acabei marcando uma conversa numa terça feira às 9 FUCKING HORAS DA MANHÃ (horário que eu não faço nem trabalhando, vejam bem). no metrô LUZ, centrão de são paulo, longe pra caramba. depois de pegar metro e achar as redondezas muito bizarras, achar a empresa bizarra e achar que eu não devia estar ali, depois de me anunciarem e esperando a rh (que provavelmente também seria bizarra) eu virei de costas, andei até o elevador e apertei térreo. caminhei sem olhar pra trás. foi bom. quando a rh me ligou querendo saber o que tinha havido eu disse que tinha ~tido uma emergência e que minhas prioridades tinham mudado~. bem louca. :)

empresa #4. indicação da carola, imaginem vocês. ela está trabalhando numa empresa que faz exatamente o que eu sei fazer de melhor. empresa super legal, com sede em outros países. ela me indicou e fez o maior lobby pra me conseguir uma entrevista. e eu pensando em karma positivo, só pode ser isso. porque eu ajudei ela quando ela não esperava, e nem deu em nada, mas ela foi parar num lugar que pode ser genial pra mim e quer retribuir o favor. a empresa é linda, daquelas coisas mais queridas do mundo, colorida e legal com os funcionários. a entrevista foi boa e eu devo voltar lá semana que vem pra segunda etapa. o único contra é que é longe, e eu sou muito mal acostumada em são paulo trabalhando sempre naquele raio de 3km de casa. mas vale o esforço, viu?

empresa #5. concorrente da empresa #4, bem em frente ao escritório que eu trabalhava na paulista. um mundo bizarro, com pessoas bizarras. tive que explicar o que eu fazia umas 4 vezes, e achei o cara que seria meu chefe um completo imbecil. agressivo, me fazia perguntas nada a ver, nao me deixava responder e já me interrompia. falou com orgulho que ali ninguém tinha qualidade de vida, que eles respiravam trabalho. quando eu contei minha experiência em wonderland ele disse que trabalhou OITO FUCKING ANOS lá e que tinha sido ~fantástico~. eu só queria ir embora, e cada pessoa que falava comigo dizia que queria que eu conversasse com mais alguém. depois da 3a pessoa eu pedi desculpas e disse que tinha um compromisso, e que teriamos que reagendar. fugi sem ohar para trás. aparentemente eles gostaram de mim, porque mal eu saí de lá e mandaram invites pra novas conversas e um ~teste psicológico~ que eu deveria responder online. namorado me sugeriu falhar no teste psicologico para escapar deles, mas acabei mandando um email dizendo que tinha aceitado outra vaga e desejando sorte pra eles na busca por alguem para a vaga. socorro.

empresa #6. depois da entrevista na empresa #5 eu fui almoçar com a minha ex equipe. foi incrivel. voltando pra casa, me liga um outro cara, de outra empresa (concorrente coma  empresa #1 e da empresa #7, que eu nem mencionei ainda), querendo marcar uma conversa. indicação da mesma menina fofa que trabalhou comigo na firma colorida. vou conversar com ele em BARUERI, mas só porque ele jurou que vai montar equipe em são paulo em 2014. vamos ver.

empresa #7. tirei a semana de folga e vim pra cidade siderúrgica visitar a familia. eis que toca meu telefone, e é o hedhunter que conversou comigo em julho sobre uma vaga numa empresa concorrente da #1 e da #6, um processo que havia sido pausado depois de eu passar por duas etapas. e eles querem voltar a conversar. boralá.

semana que vem vai ser cheia. to reclamando não.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

outubro

tenho alternado dias muito ruins com dias relativamente bons. nos dias ruins eu mal me levanto da cama. andei emagrecendo, meu menino viajou a trabalho e eu corri pra cidade siderúrgica pra comer feijão feito na hora e brincar com o novo membro da familia, um buldogue francês bebê. voltei pra são paulo numa dutra encharcada, desacostumada a dirigir na estrada e com preguiça. cheguei e tinha esquecido de pagar a conta de internet, vejam vocês. nem bloquearam nem nada, deu tempo de regularizar, mas me dei conta de como ando fora de mim esses dias. me matriculei num curso de dois dias inteiros, quinta e sexta, de 9h as 18h, aquele horário que eu não faço nunca, nem trabalhando. dormi com a janela aberta pra deixar a luz entrar. o curso é uma certificação de algo que eu já faço desde que cheguei em são paulo, mas que nunca fui oficialmente treinada. achei que era hora de tacar coisinhas no linkedin. eu quis fazer esse curso em agosto, mas a firma não estava me deixando tempo livre e acabei adiando. serviu pra ver que eu fiz tudo direitinho, e que eu continuo boa no que eu faço. fez um mês o acontecido. aos poucos eu volto a perguntar dos queridos. o cara de ti foi demitido, duas semanas depois de mim. chefo e rainha assumiram o relacionamento e ele anunciou que está indo pro sul assumir a diretoria de alguma coisa da nave mãe. disse que vai tocar o projeto de lá, mas sabemos que não. rainha de copas vai ter de abrir mão de todo o império construído pra acompanha-lo ~em nome do amor verdadeiro~. nesse meio tempo uma das minhas meninas recebeu uma proposta e pediu demissão, e o que se vê é o chefão desesperado pra mante-la, porque com a minha saída e com a transferência do chefo, não sobrou nada nada do que a gente fazia. a rainha de copas virou gerente de projetos (sem nunca ter sido) e está coordenando os gringos sem falar inglês. eu já escuto os absurdos sem dor, e com um pouco de pena. me concentro em fazer entrevistas, mas nada muito certo, ainda. recebo e-mails de amigas preocupadas comigo, me surpreendo com gente de quem eu não esperava nada super se empenhando em me ajudar. uma das amigas da menina de cabelos vermelhos, vilã da segunda e da terceira temporadas desse reality show, vejam só. fico feliz de ver que eu construí algo legal ali, independente das rivalidades todas. vida que segue. voltei andando do curso e me lembrei de 2009, quando minha cabeça não sossegava e andar pelas ruas de são paulo me trazia pro eixo. saudades do meu menino. saudades de mim entre corredores e projetos.

meu aniversário domingo. horário de verão, um dia de 23h. quase acho isso bom. não estou para comemorações. 2013 tem sido como foi 2012. difícil.

mas o velhinho da cabala que eu visitei outro dia, e que desenhou as linhas da minha mão e disse que eu vou morrer velhinha, disse também que tudo vai ficar bem. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

entrevista numero 4

é uma casa muito bonitinha dentro de uma vila nos jardins. duas quadras pra baixo de onde ficava o trabalho antigo, aquele que eu evito saber como anda, se anda, para onde vai. a recepção é separada por uma estrutura metida a instalação de madeira, e tem uns sofás e pufes espalhados, sugerindo uma área de convivência. era uma área de convivência. tinha um galerê moderninho, de camisetas nerd e barbichas, falando do mercado. agência. me corrigiram. é uma consultoria. 

é nada. se tem cliente, se faz o que o cliente bem entende, é agência.

fiquei esperando sentada numa cadeira, e foi juntando mais gente na salinha do lado. montaram uma mesa e surgiram dois bolos. um doce, um salgado. galere conversando, interagindo, clima descontraído. cansei de olhar o facebook no telefone, cansei de jogar candy crush. não queria olhar pra eles, estava constrangida com o fato de estar sentada ali, na cadeira, esperando uma entrevista que eu nem sabia (e nem sei) se queria passar, no meio de uma festa que ameaçava começar.

chegou o maluco que ia me entrevistar e me salvou da bagunça. perguntou se eu queria esperar o parabéns, eu sorri e recusei. a sala de reunião era no fundo na casa. tudo muito bonito, arrumado. acabamentos detalhados. eu trabalhava num escritório tão feio. isso nem me incomodava tanto, acho. mesmo quando começaram as batidas da famosa reforma, eu já meio que sabia que não estaria lá pra ver tudo pronto.

e o cansaço? e a preguiça de botar um sorriso na cara e mostrar que ~sou a pessoa certa~ para a vaga em questão? nem sei muito bem como eu consegui. vai ver que é o que chamam de carisma. lá estava eu desfiando minhas habilidades, falando sobre o mercado e o que eu gostava de fazer. tentando me encaixar naquele cenário.

nunca me achei carismática. prefiro creditar essa minha habilidade em entrevistas à imensa quantidade de vezes que precisei praticar. sou boa para caralho nisso. desculpaê. ate minha voz sa diferente, mais pausada, mais put together. convenci o cara que eu era ótima, mission accomplished. duas horas depois, saia de la correndo pra não perder o compromisso com a familia do namorado, com uma promessa de que eles me ligariam na semana seguinte (essa, né?) pra marcar a segunda conversa, dessa vez com o dono.

pergunta se eu quero essa vaga? não. não queria entrar numa de atender clientes, isso tudo me lembra os prazos loucos da oficina, com a evil manager no meu pescoço. mas penso que pode funcionar como algo temporário, até que eu tenha nas mãos algo que de fato eu queira fazer.