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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

cotidiano

Eu fico muito impressionada mesmo com a minha capacidade de gastar dinheiro. Eu queria entender como é que eu transformei a fase mais rhyca da minha vida em fase mais pobre, com faturas que beiram a estratosfera nos cartões de crédito. Porque, assim. Eu podia ter adiantado em muito as parcelas do carro, eu podia ter feito yoga, pilates, bordado, o que quer que eu quisesse. Eu podia, inclusive, fazer uma poupança de viagem. Mas não. Comprei móveis, mais móveis, gastei pequenas fortunas em pratos coloridos. Gastei dinheiro não sei nem bem onde. E aí o aspirador de pó morreu, o que muito convenientemente coincidiu com a faxineira falar mal de mim pra uma amiga, só porque - veja só que absurdo - eu pedi pra ela dar uma geral nas portas. Fiquei sem faxineira, sem aspirador e absolutamente em choque com a proposta do namorado, que acha degradante ter alguém arrumando a própria casa, coisa de país subdesenvolvido, etc e tal, modos que estamos OS DOIS, há três semanas, fazendo as vezes de faxineiros nas horas vagas. O aspirador não voltava da assistência nunca mais, e eu já estava sem esperanças. Resolvi largar pra lá, dar uma de louca porque, convenhamos, dinheiro está SOBRANDO, vamos comprar outro, melhor. Daí quando finalmente depois do longo mês de privações a assistência ligar falando "dona, seu aspirador tá pronto, vamos levar aí e a senhoura acerta o conserto" eu vou poder dar uma de dona de casa revoltada e dizer "PRECISA MAIS NÃO, já comprei outro, beijos". Tava eu com o computador aberto, escolhendo meu novo aspirador de pó quando ouvi o maior estrondo na cozinha. A máquina de lavar resolveu se juntar à leva de coisas problemáticas de setembro. Vinha mastigando minhas toalhas há tempos, e resolveu desencaixar alguma coisa e perder totalmente as estribeiras, a estabilidade, a função. A centrífuga faz com que ela se balance loucamente, batendo em tudo em volta. Ela sacodiu tanto que se desligou sozinha da tomada. Namorado sugeriu que ligássemos pra assistência técnica. Quase chorei. É a mesma do aspirador, eu disse.

Voltamos resignados para o computador, adicionamos uma máquina de lavar nova ao carrinho de compras. modos que estou mais pobre ainda. Meus problemas, além dos mencionados anteriormente, agora incluem faturas ainda mais gordas nos cartões, pobreza total e absoluta pelos próximos dois ou três meses. E ainda o terror da antecipação de que a geladeira, da mesma marca dos problemáticos, se manifeste. Vamos aguardar.

Mas pelo menos as roupas estarão lavadas, secas e fofinhas. 

2012 é, de fato, o novo 2009. Tem até bloodyseptember, vejam bem.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

tava aqui pensando. 2012 é o novo 2009, não é não?

e o que eu tinha em 2009 que não tenho em 2012? SENSO DE HUMOR. porque eu passava perrengues variados, não sei nem como sobrevivia, mas tava ali, escrevendo e fazendo graça com as desgraças que se assucediam.

então resolvi mudar as coisas. um tiquinho. aproveitar que o blog me deu de volta o anonimato que eu tanto gostava. eu sempre me perco dentro da minha própria cabeça, e é bem ali que as coisas desandam. 

bora aproveitar o meu aniversário de um ano de wonderland? bora sair da cabeça e descrever a vida? descrever os tipinhos bizarros que me rodeiam, os acontecimentos bizarros que me atropelam. sem poesia. poesia mandou lembranças, não sabe ainda quando volta.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

eu coloco o vestido de oncinha que é pra parecer adulta. acordei praguejando. chamei a menina fofa do rh pra conversar e acabei chorando. disse que estava difícil trabalhar sem direcionamento. ela sorriu, compreensiva. me disse que isso tudo é muito geração y. a ansiedade em resultados, a impaciência com ciclos longos. eu meio que concordo, mas tem faltado clareza esses dias. 

eu preciso tomar uma decisão. esperar ou não a tal resposta da direção sobre o que será do projeto. esperar tem sido uma das coisas mais angustiantes que eu já fiz na vida. nada ali faz sentido, qualquer tarefa que eu precise executar, eu não acho que vá efetivamente ajudar em algo. falta fé. queria passar esse período quietinha. mas é preciso manter a roda girando. amanhã eu faço um ano de wonderland. preciso de férias. preciso de uns dias longe, quietinha. eu queria estar mais equipada para passar por essa fase.

pois bem. se eu decidir esperar, que é o que eu já venho fazendo há alguns meses, talvez não demore muito mais. mas não dá pra saber quanto tempo, ainda. eu teria que engolir as angústias e tentar achar mais um pouquinho de sentido nas coisas. pra suportar sem sentir tanto. a outra opção é bagunçar o estado de calma aparente. chamar a menina ruiva pra uma conversa e dizer que quero trocar de área. e pedir a ajuda dela, caso seja possível. se ela não puder ou quiser ajudar, well, ela foi avisada. então eu marcharia com as minhas sapatilhas até as duas áreas que me interessam, e diria aos gestores que gostaria de fazer parte da equipe. e torceria pra que assim que eles pudessem, me trouxessem pra perto. e me ajudassem a reescrever essa história. ou pelo menos abrissem espaço para que eu a reescrevesse, sozinha.

por mais que a decisão pareça fácil, não é. continuo sem ter um cenário claro à minha frente. continuo confusa, e com medo de tomar a decisão errada. ou de me arrepender. 

lembro do caio querido me dizendo que era de família cigana, quando tomamos vinho uns dias antes de eu começar na firma nova. bobagem. ele sorriu e disse que eu iria chorar. que eu iria chorar muito, mas que eventualmente ia dar certo. eu fiquei impressionada na hora. eu sempre fico impressionada quando alguém insinua saber alguma coisa. mesmo que não seja verdade. eu fico. a primeira parte ele acertou. tomara que a segunda ele acerte.

Setembro

Sempre foi assim. Uma parte da vida funcionando, ainda que com problemas. A outra parte da vida desmoronando. A parte que funcionava, trabalho. A grana podia estar curta, o clima podia estar pesado. Eu tinha os meus fones de ouvido, a minha autoconfiança e a minha fé no que eu estava fazendo. A parte que não funcionava, vida pessoal. Eu exagerava as preocupações com o peso e me achava sob controle dentro de roupas tamanho P. Me fiava em um bom corte de cabelo e me anestesiava com festas regadas a vodka e tequila. Era fácil. Segunda eu tava inteira, pronta pra 5 dias produtivos. Os dias problemáticos eram dois, apenas. Totalmente administrável.

E aí a equação inverteu. A vida pessoal ficou linda, incrível. Os finais de semana foram preenchidos com certezas e mãos dadas. E sorrisos, e o maior amor do mundo. Tudo segue certo, incrivelmente certo. O trabalho desmoronou, levou minhas certezas, minha autoconfiança, minha fé. Não há música que me aquiete o espírito. Não há nada que possa ser feito. Foi como se eu tivesse sido quebrada, partida. Torcida, dia após dia, segunda a sexta. 5 dias de sofrimento, 2 dias bons.

O momento é de aprender lidar com isso. Firmar os pés onde o chão não é firme. Em lugares que eu não sei se quero pisar. Eu tenho 2 dias bons e 5 dias muito pesados. Eu enfiei na minha cabeça que é culpa de saturno, e falta tão pouco. 5 de outubro tá aí. Me chamem de louca. É bem capaz que eu seja. Eu preciso acreditar em alguma coisa, e eu vou tateando em direção a esse momento em que eu acredito que as coisas vão melhorar. Até lá eu me distraio. Choro na terapia e no colo do meu menino. Compro pratos coloridos e tiro fotos da casa.

Se passar esse período e não passar a angústia, eu vou precisar fazer alguma coisa. Questão de sobrevivência. Porque ficar desse jeito tem sido a morte.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

tragédia da vida real.

estavam juntos há seis meses. ela tinha parado com os remédios e dava gritinhos de alegria mal acreditando na vida que se acertara. contava causos dos dois, dos jantares, dos assuntos. ele era bom com ela, mais do que o menino anterior. parecia sério, parecia gostar dela. ela se vestia bonita e dava gosto ver como estava feliz.

ele tinha um diário. ela abriu. viu ali escritos sobre outra menina. não ela. uma outra. de coração partido, ela foi embora.

e comprou um gato.

fim.

*baseado em fatos reais.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

um dia

um dia, sem aviso, o estômago revira e você mal pode andar. encolhe embaixo das cobertas, pensa na vida, pensa que não está dando conta. pensa que já foi mais legal, mais sensível, mais esperta e inteligente. mais interessante, por que não?

adia tudo. trabalho, amigos, o cesto de roupa suja. adia a vida, um pouquinho.

espera passar.

vai passar, certo?

sábado, 1 de setembro de 2012

sábado

uma gripe me acompanha há 11 dias. é alergia, diz meu menino. não pode durar tanto tempo. tudo o que eu sei é que os olhos ardem, e vertem lágrimas. e o nariz coça, irritado. penso que meu corpo tenta lidar com o que eu vejo e o que eu respiro. não serve, então ele devolve. espirros e lágrimas.

vontade de ficar deitada. estou faltando aula de inglês e saí cedo do trabalho ontem. deitada na cama, lençol aquecido. penso no feriado. minha mãe visitando depois de três anos. minha irmã. um pouquinho de família dentro da minha casa de paredes coloridas. um pouquinho mais de colo. não estou boa não.

café com torradas e geleia. quando o mundo aperta, eu boto um pouquinho mais de açúcar no café da manhã. e tudo fica bem. naquele minuto, ta vida é perfeita. é engraçado como eu nunca me distraio dessas coisas pequenas. tipo achar uma placa de carro com prefixo EET enquanto toca eet no carro, na voz da regininha. um casal de velhinhos. vou me fiando nas coisas pequenas.

fujo do trabalho e almoço com meu menino as melhores batatas fritas do mundo. deixo ele escolher a sobremesa. conversas compridas com velma. terapia pra colocar as ideias em perspectiva. um suco de morango.

a vida se acerta é nas coisas pequenas.