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segunda-feira, 10 de março de 2014

Regras de vestimenta


lojinha tem regras de vestimenta, people.


eu soube disso na integração. ok, não vou fazer drama. empresa grande, com um mundo de funcionários de chão de fábrica. as regras valem pra todos. geralmente eu quebro as regras sozinha, aos poucos, quando sinto que tem espaço. 

em idos de 2012 a grande corporação me deixou levemente coxinha, e ainda assim eu era vista como ~pessoa de visual alternativo~. para sempre vou me lembrar de passar pelo ceo da minha área, certa vez, usando minha camiseta de caveira, e ele lançar um "legal sua camiseta". jamais saberei se houve ironia, se era um elogio sincero, se ele me achou audaciosa e levemente quebradora de regras, e fez menção à coragem (ou cara de pau). eu estava cansada de circular entre camisas sociais, saias lápis e sapatinhos de salto do capodarte.

bons tempos os de 2010 e 2011, na firma colorida, quando eu usava short curto com meia calça e saltinho, ou tênis, ou macaquinho, e ninguém falava nada, e todo mundo entendia que a livre expressão da personalidade não atrapalhava o trabalho. várias foram as vezes que vi a chefa de short, ou de maria chiquinha, só porque sim. mas os tempos eram outros, eu pesava 8kg a menos e as coxas de fora não eram um statement como seriam hoje.

não pode saia curta, não pode short, não pode calça jeans rasgada, não pode bermuda pra homem, não pode legging. a cada item explicado, o rh bonzinho quase que pedia desculpas, porque ele sabia que as outras 3 pessoas ali comigo eram de áreas que teoricamente permitiriam uma ou outra brincadeirinha. a verdade é que na prática, tudo pode, mas com parcimônia, com bom senso. (isso é conclusão minha, da vida em geral. não foi o rh que disse, o rh jamais diria isso.) mas o que é bom senso? ele disse que certa vez podia legging, e uma funcionária do ~chão de fábrica~ apareceu com uma legging branca super apertada e transparente, e com uma calcinha vermelha por baixo. dava pra ver tudo, e galere surtou. parece que deu até demissão, jamais saberei. cada proibição mencionada veio com a história que gerou a proibição. era sempre um caso de chão de fábrica, mas a vida já me ensinou o suficiente pra saber que falta de noção e falta de bom senso a gente vê em qualquer lugar, não depende de classe social ou nível hierárquico. a parte boa é que como a chefa também é ~pessoa de visual alternativo~ sobra uma liberdadezinha de ir sentindo o ambiente e brincando um pouco com o que se veste.

por enquanto, venho lançando mão das calças compridas e blusinhas e cardigãs, mas isso vem provocando uma sensação de constante desaparecimento da personalidade. nunca fico absolutamente satisfeita com o outfit do dia, sempre acho que está sem graça, que não sou exatamente eu, ali. do meu guarda-roupa, especificamente, a proibição afeta mais as saias do que qualquer outra coisa. tenho muita roupa curta, e ainda que sempre lance mão de meias calças engraçadinhas pra não ficar exposta em ambiente corporativo, ainda não tive coragem para fazer graça.

talvez quando a gente for pro escritório novo, só com a galera da interwebs, no bairro mais coxinha de são paulo, eu resolva brincar um pouco mais. até lá, sigo sem graça.

2 comentários:

  1. to na mesma: consegui uma vaga numa empresa e na entrevista só vi homens no escritório - todos de terno e gravata. to perdidaça no outfit. acho q nem jeans vai rolar.

    voltei pro blog da oficina de estilo e devorei os antigos posts sobre roupas formais de trabalho. um cintinho colorido aqui, uma sapatilha com laço ali... a gente dá um jeito entre blazers e decotes fechados. ;)

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  2. eu trabalho com TI no meio de uma fábrica de caminhões - faça as contas. no departamento tá ok jeans, tatuagens e personalidade. tudo muda quando tem reunião no comercial ou no administrativo.

    no andar debaixo as pessoas só andam de terno e acho todos iguais e sem graça. é difícil.

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